Home
Agenda
Novo sumário
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 

 
 
 

“Banalização da violência e sua repercussão na construção dos valores morais”

C. A. de Medina - Sociólogo




Palestra em Mesa da ABENEPI – 11/08/07 – “Banalização da violência e sua repercussão na construção dos valores morais”

C. A. de Medina
sociólogo

Quando eu fui convidado para participar desta Mesa tive uma primeira reação de recusa dado o tema apresentado. Não é um tema do meu agrado – a violência – pois me sinto inadequado para falar sobre ele, pois efetivamente não o conheço. Sinto-me falando sobre algo e não de algo, pois a violência de quem sofreu a violência tem uma dimensão de intensidade totalmente desconhecida por parte daqueles que não a sofreram.1

Lembro-me de uma palestra que fiz sobre educação e a diretora de um colégio particular presente perguntou-me depois se eu aceitaria o convite de proferi-la de novo no colégio para os pais dos alunos. Aceitei. Qual não foi a minha surpresa ao chegar e ver um cartaz, com meu nome e o da palestra, mas com os dizeres em letras grandes: Sociólogo vai explicar a violência. Mas sociólogo não explica, não dá respostas, menos ainda poderia eu falar algo sobre a violência. Tanto é assim que procurando tornar a palestra mais participativa, optei por abrir um diálogo inicial. E um senhor da minha idade, sentado à minha frente me perguntou: “Eu levo meus dois netos à escola todo o dia e já fui assaltado duas vezes. O que posso fazer?”

Eu, meio atordoado com este início, procurei me controlar para não emitir uma resposta direta e que seria “não leve mais seus netos à escola”.

O tema proposto silencia com relação às implicações sociais do que está sendo discutido. A violência que se diz estar sendo banalizada, qual é ela? Será a do roubo do dinheiro público pela corrupção com sérios prejuízos na atuação do Estado na saúde e na educação? Será a da ocorrência das balas perdidas de policiais e traficantes que aleijam ou matam cidadãos? Ou é a dos presídios e cadeias nas delegacias super lotadas, caracterizando seres humanos como lixo da sociedade, a quem se pode fazer tudo? Ou a dos passageiros nos terminais aéreos, rodoviários e metroviários, impossibilitados de exercer o direito de ir e vir? Ou dos remédios perdidos por estarem fora do prazo de validade?

Em vez de discutirmos a ocorrência da citada banalização, vejamos do que estamos falando, da articulação desta violência, desta violentação, deste violentar em sua dinâmica com a sociedade.

O tema desta Mesa tem uma marca de informações. Admite que a violência pode ser banalizada, bem como admite que tal banalização, se possível, repercutirá nos valores morais. Dada esta marca afirmativa, espera-se que os palestrantes confirmem o fato, o expliquem, e, provavelmente, confirmem o que a variável banalização representa na construção dos valores morais.

Como podem perceber minha reação inicial foi questionadora. Entretanto, um aspecto dos nossos valores culturais brasileiros, interveio. O convite era pessoal. E minha relação com a ABENEPI não é de hoje, tendo eu já participado de vários eventos realizados por esta associação. E são várias as minhas relações pessoais com membros da ABENEPI. E sendo assim, como negar o convite alegando não gostar do tema?

É um dos valores da nossa cultura – e certamente da nossa moral - atender aos pedidos dos amigos. Como ocorre entre políticos (o próprio senador Renan Calheiros pediu a um amigo que pagasse em dinheiro a soma devida para a pensão de sua filha). São inúmeros os casos presentes no noticiário, demonstrando a força desse comportamento entre nós. Amigo é pessoa de confiança. Convidar-me para esta Mesa tem muito da confiança de que eu estaria presente e que procuraria dar o melhor de mim.

Resolvendo enfrentar o tema, verifiquei que este “melhor de mim” seria usar de todo o meu conhecimento profissional, sociólogo que sou, e questionar o tema. Acho muito importante examinarmos as palavras que o compõem. São palavras plenas de subjetividade, cuja articulação na frase que dá nome à Mesa, indica uma relação de causa e efeito que, para o sociólogo, é um absurdo.

No campo das ciências da natureza, onde a experimentação é possível, pode-se afirmar que algo causa determinado efeito, pois se tem controle do experimento. No campo das ciências humanas, isto não é possível. Inclusive ao tentar seguir este caminho, deu-se à sociologia, no seu início, a esperança de que ela iria permitir o aparecimento das respostas aos problemas, isto é, esperou-se que a sociologia nos oferecesse soluções.

Se considerássemos o tema como uma pergunta, a resposta imediata seria negativa. Mas ao darmos uma resposta, deixaríamos em silêncio, aquilo que não é dito no tema. Pois ele está nos dizendo que a “construção dos valores morais” é algo frágil e que pode ser prejudicado pela banalização da violência. Mais ainda, como é característico das camadas médias da população, a manutenção e a defesa dos valores morais, e como ela é afetada, mesmo que indiretamente pelas ocorrências violentas na sociedade e vendo-se impotente diante dos fatos, ela procura dizer que sendo comum, banal, a violência, fica difícil construir-se uma realidade pautada pelos valores morais.

Mas examinemos em detalhes as palavras. Temos banalização, violência, repercussão, construção, valores, morais. Examinemos uma a uma.

Banalização – vem do francês antigo, ban, e que significava o chamado do senhor feudal para reunir seus vassalos para irem para a batalha. E a Igreja de então usou tal palavra para significar a interdição, daí banir. Os vassalos eram os homens comuns, e por serem comuns, banais, em oposição aos senhores, homens especiais, excepcionais.

A banalização seria fazer algo ser comum, tão comum que se tornaria normal. Tão normal que ninguém mais daria conta, não despertaria interesse. Entretanto, como não dar conta da violência?

Aqui temos a segunda palavra, violência. Esta é uma palavra que contém um interlocutor. É fazer violência à. É agir sobre alguém ou coisa, é fazer esta pessoa ou pessoas agirem contra a sua vontade. Eu não quero mais ser assaltado, diz aquele avô, mas já fui assaltado duas vezes e, certamente, contra a sua vontade. E quando se diz violência há referência ao uso de força ou de intimidação, geralmente com armas. Uma ação para submeter alguém a fazer o que não quer. Ora o verbo para violência é violentar, e aí temos um outro significado: agir contra aquele que devemos respeitar.

Uma frase usual, banal é: “Na mulher não se bate nem com uma flor”, mas a mulher que estava no ponto de ônibus na Barra da Tijuca, RJ, e que foi agredida, espancada e roubada, passou por uma situação violenta feita por vários rapazes que deram como desculpa ser ela uma prostituta, isto é, podia ser agredida com base em valores morais.

O uso do verbo no infinitivo nos permite olhar para o termo de modo dinâmico. Assim banalizar e violentar. E posso perguntar, é possível banalizar o violentar? Não creio que alguém aqui responderia afirmativamente. O violentar, o uso da violência contra alguém é questionado com base nos valores morais de que somos portadores. Como aceitar o matar, o estuprar, o agredir, o machucar e torná-lo banal?

Hannah Arendt, filósofa alemã, escreveu após a Segunda Guerra Mundial livros acerca do Holocausto, a matança dos judeus pelos nazistas, e vai falar da banalização do mal. Queria dizer com isto que em certos contextos institucionais, como o campo de concentração nazista, aqueles prisioneiros não eram considerados pessoas humanas e os que os comandavam podiam fazer o que queriam com eles. Neste contexto havia banalização, como vai ocorrer agora, neste século, nas prisões no Iraque, onde fotografias demonstram claramente o que é banalizar a tortura. Mas a reação internacional foi imediata. Tal violência não pode ser banalizada.

Mas o que estaria no título do tema? Haveria um questionamento implícito da ação da imprensa ao mostrar os mortos por bala perdida, os mortos nas lutas armadas entre traficantes e entre estes e a PM? Haveria um desejo de, pelo silêncio, não saber o que se passa?

A violência está presente e é notícia. Certamente a constância sucessiva desta gera uma sensação, real ou não, de insegurança. Mas o fato é que ela existe. Talvez para muitos era melhor nada saber, esquecendo-se que o comportamento adulto é o de saber. Ora, a liberdade de imprensa tem esta vantagem. Nos países totalitários a principal ação é construir a censura nos meios de comunicação. É claro que a mídia, hoje, tem enorme importância, inclusive, manipulativa do informar, mas havendo liberdade de expressão, sempre será possível ter-se opiniões diferenciadas e saber-se, portanto, o que se passa. Se as ocorrências violentas são notícia, também o são as ocorrências de quebra dos valores morais, e entre estes, a corrupção.

Será possível banalizar a corrupção? Se todos forem corruptos, se corromper for um ato banal, aceito, certamente estamos dizendo que algo está tendo repercussão nos valores morais. Pois o ato de roubar dinheiro público não poderá ser um valor moral. Entretanto, a cultura brasileira sempre foi benigna com tal comportamento. Na escola, não colar seria burrice. Na repartição levar papel e caneta para casa seria aceitável, enfim, porque não aproveitar a ocorrência do desastre aéreo para retirar dos corpos ou das malas do avião da Gol, objetos de valor e se apropriar deles? Ou um policial ou militar vender armas para traficantes?

Lembro-me de um amigo meu convidado para servir na Casa Civil do presidente Costa e Silva. Este pedia ao chefe das Casas, para levar seus subordinados para almoço, permitindo a Costa e Silva conhecer a todos. Meu amigo era um deles e me contou que uma vez, almoçando com D. Yolanda, esposa do presidente, esta disse: “Meu filho, isto é igual a desfile de escola de samba. É uma noite só, tem de aproveitar”. Porque, então, não se aproveitar da coisa pública se está em posição de fazê-lo?

Há uma suposição no tema proposto de que os “valores morais” construídos e existentes levariam à uma mais séria consideração da violência. Mas se pensarmos nas Cruzadas, na Inquisição e na escravidão (vigente no Brasil até 1888), elas estavam ancoradas em “valores morais”, para não mencionarmos a “cruzada anticomunista” dos anos 60, 70 e 80 e que grassou pela América Latina, sustentando ditaduras violentas com o exercício de torturas e mortes, a ponto de juízes decidirem seus processos, na dúvida, contra o réu.

Os valores morais são da sociedade e devem permear suas instituições através daqueles que ali exercem papéis sociais específicos. Seja na família, na escola, nos hospitais, no governo, nos tribunais, nas casas legislativas, nas repartições públicas.

Dignidade, respeito, igualdade, participação, autonomia individual, integridade das condições físicas de vida, o direito de ir e vir, segurança pública, formas pacíficas e solidárias de organização social. Todos esses valores e normais morais parecem ainda não serem compartilhadas por todos na sociedade mais ampla.

Uma das instituições formadoras dos “valores morais” é a família. E nesta, os pais e os filhos, dando-se aos pais uma importância quase total para a “construção dos valores morais”. Em 1875, Mary Carpenter, dizia nos Estados Unidos, em reunião da Associação Americana de Ciência Social: “Se os pais fracassarem no cumprimento do seu dever, então, a sociedade toda sofrerá”. Em 1899, “inventa-se” lá o delinqüente juvenil, com o surgimento da legislação específica que separa os jovens de criminosos mais velhos, dando-lhes um tratamento mais corretivo do que punitivo. A percepção é de que o jovem não temia fazer o que era errado e sim, temia ser preso.

Mas de que “família” estamos falando? Hoje, temos uma instituição bem diferente de anos passados. De um lado, menor número de filhos, de outro, pais trabalhando, ambos, e de um terceiro lado, uma aceitação social pela separação do casal, no caso, os pais do filho, e sua nova relação conjugal posterior. São padrastos e madrastas sem parceiro falecido. São filhos com duas casas na guarda compartilhada, aprendendo cedo a lidar com sérias questões afetivas.

Para muitos idosos ainda vivos tal situação pode expressar a perda de valores morais. Para outros, mais jovens, a valorização da relação conjugal afetiva, considerando pior para os filhos conviverem com pais que não mais se gostam. E se não se gostam mais, porque permanecerem juntos?

E neste processo de transformação, a intensa mudança da posição da mulher na sociedade. Não mais passiva, ativa, em pé de igualdade com o homem. Muitas são chefes de família, cuidando, sozinhas, dos filhos.

A discussão dos “valores morais” envolve, assim, uma realidade em transformação do próprio quadro institucional onde seriam “construídos”.

Estudos feitos sobre o “pensamento moral” nos filhos assinala três níveis: No primeiro, dos 4 aos 10 anos, a criança responde as definições culturais de sua família do que seja “bom” ou “mau” e do que pode levar à punição ou recompensa. Já na pré-adolescência, mantém as expectativas e regras do grupo ou família do indivíduo, percebendo-as como válidas em si e, na terceira, na efetiva adolescência, como jovem, tem princípios morais autônomos com validade e aplicação independentes da atitude de grupos ou pessoas que as mantém.

Se, no primeiro nível, orienta-se com relação ao possível castigo e diferenciai sem questionar o poder superior, buscando reciprocidade entre seus iguais, já no segundo nível, julga os comportamentos tidos de acordo com a intenção sem pleno conhecimento dos efeitos. Respeita a autoridade e busca ganhar respeito por fazer de dada maneira. Já no terceiro nível, coloca em questão valores diante de suas opiniões pessoais. Tomar decisões a partir destas, procurando princípios que possibilitem uma compreensão lógica e consistência face a princípios éticos abstratos e não mais morais, como seriam, por exemplo, os Dez Mandamentos.

De acordo com Piaget, com mais de 16 anos, a maioria das pessoas já alcançou o pensamento operacional formal. Na adolescência, há a percepção do relativismo, a existência de um entre outros princípios morais. Compreendem e usam o pensamento moral convencional mas podem vê-los como arbitrários e relativos e, já buscando autonomia, podem formular a aceitação de “faça uma coisa e deixe os outros fazerem a deles”. São pessoas moralmente em transição em relação a questões tanto de identidade quanto moral.

A integração da ideologia moral com os fatos da diversidade e inconsistência moral é uma tarefa geral de desenvolvimento da juventude em uma sociedade aberta, permitindo, assim, a rejeição das convenções.

Convém lembrar de um ponto: o resultado da afluência, tecnologia e longevidade crescente levou a uma perda da necessidade, por parte da comunidade adulta, de seus adolescentes. E teve como corolário um prolongar do tempo de juventude, aceitando-se tal estado como o mais duradouro.

Não podemos esquecer que nenhuma outra instituição, como a família, mudou tanto em uma geração.

Outra conseqüência dessas transformações foi o declínio da autoridade adulta quando, no passado, o mundo adulto era tido como homogêneo e isto em questões de padrões pessoais e morais. Os adolescentes tornaram-se e tornam-se assim como pioneiros em temas inexplorados, exatamente quando vivenciam toda uma série de acomodações para a puberdade, dadas as mudanças hormonais do seu corpo.

Acho que o Brasil passa por uma grande transformação desses valores morais. Para alguns isto ocorre porque o governo federal não tem dinheiro suficiente para enfrentar os problemas que o afligem. Desta forma é preciso poupar exatamente aqueles recursos que são apropriados pela corrupção. O noticiário, nos jornais, das ações constantes da Polícia Federal, vão nesta direção e vão também procurar garantir a honestidade nas licitações, nos convênios e outras iniciativas de despesas governamentais em todos os níveis, tentando romper com o “valor moral” da ajuda aos amigos e parentes e da ocorrência da apropriação particular de verbas públicas. A competição se dará por condições técnicas específicas e por melhores produtos e, espera-se, mais baratos. Um exemplo disto foi a abertura para os medicamentos genéricos, após enorme luta governamental.

A repercussão aqui é possível. Tornando mais difícil a corrupção, grande parte dela desaparecerá ou se obrigará a novos procedimentos, muitos deles impedindo padrões de comportamento usuais. Palavras como impunidade e privilégios, entram nas conversas abrindo espaço para comportamentos honestos e profissionais.

Algumas declarações de autoridades não são mais aceitas sem críticas. Logo o “relaxa e goza”, os gestos do assessor etc, passam a ser avaliados e não banalizados. A própria declaração do presidente da República: “Se querem brincar com a democracia, é bom lembrar que ninguém neste país consegue colocar mais gente na rua do que eu”, pode amedrontar seus próprios sustentadores, pois serão estes os mais prejudicados se tal coisa acontecer. Embora não seja o capitalismo quem gosta de ordem, e sim o Estado, a desordem nas ruas afeta o mundo da produção, ainda mais numa economia globalizada como a atual..

Nós, classe média, isto é, pessoas sem problemas graves de subsistência, como os milhões de pobres no Brasil vivendo da Bolsa Família, nem com o domínio dos processos de decisões econômicas, por não sermos os donos do grande capital, nós, classe média, só teríamos os “valores morais” como arma.

Aqui um fato novo que a discussão da violência provoca. Se de um lado a sensação de insegurança pode levar a um conformismo social, e isto é estimulado, muito dos movimentos sociais existentes no país, locais e específicos, de pequeno porte e aparentemente sem repercussão política, são um espaço contínuo de aprendizagem social. É a reunião de pais de filhos mortos por balas perdidas, é a reunião dos que sofreram a ação violenta de agressores com suas camisetas, com suas manifestações de Basta! Cansei, e outras aqui e ali, muitas no Rio de Janeiro. Aparentemente ingênuas e sem efeitos, vão gerando uma realidade em que manifestar-se publicamente torna-se um ato válido e construidor de valores morais que não podem ser mais negados.

Podemos ver o protesto coletivo como um processo de aprendizado coletivo envolvendo interesses que podemos chamar de particulares e envolvendo considerações morais.

Façamos algumas considerações. Sempre que surgem questões consideradas morais as pessoas têm de falar umas com as outras de modo a lhes ser possível cooperarem entre si.

É um difícil aprendizado da convivência democrática. Aceitar a diversidade, a pluralidade, até a oposição. Sai-se do controle da ação pela força e tem-se o respeito à lei como defesa, a aceitação do direito de expor com riscos a liberdade de expressão.

Todas as questões podem ser assunto de debate, este possibilitando a construção e a reconstrução da realidade social. O que não se pode permitir é a inexistência do debate pois se estará aí impedindo o processo coletivo de aprendizagem.

Dizer banalização já é um julgar e julgar a partir de critérios não especificados, donde, expressando um bloqueio do debate. Há uma pressuposição de que todos sabem o que se está dizendo por banalização.

Aceitariam falar em banalização da ciência? Da mulher? Da terapia? Do debate? Do ser humano?

Às vezes, um tema inadequadamente formulado permite abrir-se um espaço para o debate necessário sobre nossos valores morais, pelo menos, aqueles em que cada um de nós acredita e referentes ao mundo real em que vivemos com cidadãos.

Estamos diante de um impasse muito difícil. É indispensável construir-se um mundo social diferente e ele tem de ser construído a partir da resolução comunicativa do conflito e este determinará a forma de sociabilidade construída: se aberta, democrática, participativa; ou hierárquica, fechada, secreta.

Logo, se a primeira é a desejada, as pré-condições necessárias para os processos coletivos de aprendizado têm de ser dados.

A frase do presidente Lula estimulando um potencial conflito é uma nítida valorização impeditiva de soluções inovadoras para a auto-organização da ação coletiva. Ele recorre às formas tradicionais das relações sociais rejeitando a possibilidade da solução comunicativa dos conflitos que aceitam o debate, a oposição.

O caminho da prática associativa buscada nas relações sociais comunicativas é outro. Elas estabelecem condições sociais que forçam os envolvidos a aprenderem a agir.

Se muitas ações têm a marca de uma cruzada moral e não de um movimento social, seus agentes crêndo que seus valores morais são os únicos legítimos, colocando-se contra a moralidade prevalente, no fundo, temem o que está em curso, questionam a “modernização cultural”, tornando-se guardiões das virtudes morais “ tradicionais”. Assim foi na ditadura :Contexto de violência social. Corrupção moral e econômica sabida mas não denunciada, e utilizada pelo governo demagógico e extensiva a todos os setores da população.

Justifica-se matar para salvar a vida dos poucos morais. Adquirem o direito de impor a morte, o medo e a censura e banir o pensamento. O golpe de Estado dá lugar ao medo, ao desejo de lutar contra, bem como ao desejo de ficar em paz. Estes acham que a ordem é o equivalente da paz e nunca avaliam o preço que estão pagando.

Ignorância, impotência, culpa e loucura – particularmente em relação ao desaparecimento de pessoas – raptado, detido, desaparecido, entrou na militância, como aconteceu na A.L., provavelmente morto, pois “estamos em guerra”. O resultado dos atos violentos perpetrados pelo Estado em sua atuação terrorista constituindo o fenômeno de violência social. O caráter traumático envolvido com a natureza paradoxal das mensagens do Estado. Cabe a pergunta:

Como defender-se contra atos socialmente agressivos?

No regime democrático,evidentemente, os representantes eleitos vão sendo cobrados. Muitos deixam de ser eleitos e os eleitos começam a perceber que serão cobrados. Não vivemos num país fácil de governar. Isto sabemos todos. Também sabemos que nossos quadros públicos são restritos em competência para enfrentar os problemas de gestão que precisam ser enfrentados. E um dos componentes da gestão mais sérios a enfrentar, exatamente pela permanência dos valores culturais do apoio familiar e da amizade, é o de fiscalizar. São marquises de prédios que caem, são aviões que caem, são armas que são roubadas e vendidas para traficantes.

Mas estamos aprendendo, com muito sofrimento, inclusive, por não sabermos como podemos agir institucionalmente. Nossa história ainda tem marcas da escravidão e da ditadura. Saímos da escravidão em 1888 e da ditadura em 1987. Ainda acreditamos na posição autoritária e pouco conhecemos do valor e uso da liberdade. E o mundo real que vivemos no dia a dia é difícil.

Mas este é o nosso mundo. Tem violência, tem. Tem construção de valores morais, tem. Vejo o Brasil tentando se encontrar consigo mesmo. Com suas mazelas e não são poucas. Mas com a busca por muitos de um melhor conviver em que se possa respeitar o outro com suas diferenças. Se vamos conseguir, não sei. A realidade que vemos no noticiário é a janela que nos fala tanto do país como um todo quanto do mundo e nos mostra tanto a tragédia quanto a esperança.

 

ELETROENCEFALOGRAMA NAS EPILEPSIAS.

Marcio Bezerra - Neurofisiologista



          A eletroencefalografia é um instrumento de diagnóstico e prognóstico na medicina desde a década de 30, após a sua introdução por Hans Berger. Este, em 1931 descreveu elementos gráficos interictais de um paciente com epilepsia e, em 1932 descreveu alterações ictais durante uma crise Tonica-clônica generalizada e durante uma crise de ausência. Após vários estudos com posteriores publicações, houve o reconhecimento e validação do EEG como método aplicado á epilepsia.

          A sensibilidade do EEG para verificar descargas interictais variam de 29 a 55% no primeiro EEG e de 80 a 90% na repetição seriada dos exames. Contudo, utiliza-se vários métodos de ativação como privação do sono, fotoestimulação intermitente, hiperventilação, registros prolongados e o sono para amplificar a sensibilidade do método.

          Com o avançar do conhecimento eletroencefalográfico verificou-se a existência de grafoelementos de valor epileptogênico ( ponta, onda, ponta-onda e etc) e grafoelementos de valor não epileptogênico (ondas wicket, surtos positivos 14/6, complexos ponta-onda 06 HZ e etc) fazendo com que o método se torna-se mais interessante e complexo. Com isso, suscita no eletroencefalografista precauções para interpretação dos traçados na análise dos paroxismos epileptiformes.

          O EEG após seus 70 anos de utilização clínica, ainda possue papel fundamental na neurologia, tais como, na classificação das Síndromes epilépticas, na influência prática no manejo clínico das epilepsias e na candidatura dos pacientes para cirurgia de epilepsia.



 

AUTISMO E PSICOSE NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA - SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS.

BEATRIZ BERRO MARINS
e-mail: equitar@terra.com.br 

 

A HIPOTERAPIA, É UM RECURSO TERAPÊUTICO, RICO EM ESTÍMULOS MOTORES, SENSORIAIS, EMOCIONAIS E COGNITIVOS.

UTILIZA-SE O CAVALO DENTRO DE UMA ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR E TRANSDISCIPLINAR NAS ÁREAS DE SAÚDE, EDUCAÇÃO E EQUITAÇÃO, BUSCANDO O DESENVOLVIMENTO BIOPSICOSSOCIAL DE PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA E/ OU COM NECESSIDADES ESPECIAIS.

A utilização do cavalo como instrumento terapêutico, proporciona um movimento tridimensional, variável, repetitivo, com ritmo e cadência no qual pode-se graduar a intensidade e a quantidade de informações sensoriais ao paciente autista.

Enquanto montado, em movimento, através das andaduras do cavalo (passo,trote e galope), o SNC apresenta uma intensa ativação sináptica através dos sinais de input e output que favorecem os ajustes posturais, motores, respiratórios etc, permitindo que o paciente permaneça em “alerta” facilitando a aprendizagem, memorização, concentração, cooperação, socialização, organização esquema corporal, aquisição de estruturas tempo-espacial, como também, o equilíbrio, o tonus muscular e a comunicação verbal e gestual.

O trabalho da percepção espacial e do esquema corporal, é baseado nas sensações táteis, vestibulares e proprioceptivas. O Indivíduo na Hipoterapia experimenta os sentidos da visão, olfato, tato, audição e em diversos momentos o paladar com acentuada intensidade.

O Terapeuta e o cavalo estimulam, desenvolvem e integram estes sentidos objetivando a organização da informação sensorial assimilada e das acomodações corporais, ritmo e movimento.

Na Hipoterapia, o apoio físico é dado pelo cavalo através da sua massa corpórea e o psicológico pelo terapeuta através do contato físico, jogo de olhares, linguagem simples e tranquilizadora.

O cavalo assume simbolicamente a função protetora (mãe) que transmite calor, ritmo, balanceio, massa corpórea e apoio.

Através de atividades diferenciadas como percursos, jogos e músicas realizadas dentro do set terapêutico, ocorre a descoberta do espaço e do potencial do paciente devido a gama de informações transmitidas pelo animal face às diversas oscilações corporais e a tentativa constante da manutenção corporal (equilíbrio) em função da ativação do sistema vestibular.

Deve-se observar que as crianças autistas têm uma forma diferenciada de se expressar e se comunicar, portanto, é imprescindível priorizar a forma de comunicação (evitar linguagem abstrata) a ser utizada devido ao pensamento concreto que estes pacientes possuem.

Analizando o cavalo verifica-se que ele é um ser vivo rico em informações e comunicação itens necessários para a estimulação da integração social.

Como resposta terapêutica os resultados são benéficos pois estes pacientes apresentam aumento da tolerância (menos irritadiços)), satisfação pessoal demonstrada através de sorrisos e risos, melhoria da percepção corporal, atenção, maior proximidade e contato com o animal (condução e cuidados) como também aceitação ao contato físico e visual e diminuição dos movimentos esteriotipados transformamndo-os em movimentos funcionais.

A fala apresenta-se mais contextualizada e com maior facilidade em expressar seus desejos.


Beatriz Berro Marins

Coordenadora Projeto Equitar

Terapeuta Ocupacional

Fonoaudióloga

Tel para contato: (021) 9961-4077/3905-8933

site: www.equitar-br.com.br

email: equitar@terra.com.br

 

 
 

Habilidades Sociais X Autismo.

PATRÍCIA BARROS

 

Desde as primeiras definições a respeito do autismo, as peculiaridades na sociabilidade foram tratadas como características essenciais desses indivíduos. Por esse motivo, grande parte dos estudos a respeito dos indivíduos autistas tem-se dedicado a investigar as principais características sociais desses indivíduos, bem como desenvolver estratégias que promovam seu aprimoramento. Neste sentido, torna-se fundamental a noção de habilidades sociais: a partir dela podemos mapear e descrever as diferentes classes de comportamentos sociais de um indivíduo e, assim, promover meios de aprimora-las em função da qualidade de vida social desses indivíduos. Para alcançar tal objetivo, são necessários instrumentos de avaliação e treinamento efetivos para mapear as deficiências, bem como ensina-las de forma que esses comportamentos atinjam um nível de generalização para as situações cotidianas dessas crianças e adolescentes. Tanto avaliação quanto treinamento requerem do instrutor um domínio sobre a noção de habilidades sociais nos indivíduos autistas, além do manejo preciso de técnicas e artifícios como desempenho de papéis, vivências, reforço, modelagem, modelação, níveis de desenvolvimento da Teoria da Mente, uso de vídeos, dentre outros. Mais importante ainda é promover a generalização dos comportamentos aprendidos, contando assim com a reestruturação do ambiente e o auxílio de pais, professores e pares, a fim de conceder bem-estar social a essas crianças e a todos aqueles que a cercam. 

Patrícia Barros

Psicóloga – Terapeuta cognitivo-comportamental

 
 

Tratamento Cognitivo-comportamental no Transtorno Obsessivo-compulsivo na infância.

MARIA ALICE DE CASTRO
e-mail: alice.castro@infolink.com.br

 

Resumo

Esta apresentação tem como objetivo mostrar algumas das características da abordagem Cognitivo-comportamental no tratamento do TOC. Na etapa da psicoeducação, os responsáveis e a criança serão orientados em relação ao que é o TOC, (causas, curso e prognóstico) interferência nas relações interpessoais e familiares. Explicando-se a premissa básica do modelo cognitivo-comportamental, pensamentos influenciam emoções e comportamentos. Após familiarização com o modelo inicia-se a identificação e a elaboração da lista dos sintomas, buscando o apoio dos pais nesse processo. Na etapa seguinte será desenvolvida estratégia para administrar a ansiedade.Esse procedimento prepara a criança para a implementação da estratégia de exposição e prevenção de respostas. Paralelamente, é indicada a utilização de estratégias cognitivas para ajudar na correção das crenças e pensamentos distorcidos existentes no TOC. A inclusão da família no processo terapêutico possibilita um suporte importante para o diagnóstico e para um resultado mais satisfatório no tratamento.


Apresentação na mesa científica do dia 11 de novembro de 2006

“TOC e Transtornos Alimentares”


 
 

TERAPIA NOS TRANSTORNOS ALIMENTARES

VIVIANE MARINHO

Resumo

Os Transtornos Alimentares são caracterizados por severas perturbações no comportamento alimentar. Entre estes transtornos incluímos: Anorexia Nervosa que envolve uma recusa em manter um peso normal; a Bulimia Nervosa caracterizada por episódios de compulsão alimentar seguido de métodos compensatórios; e o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) com episódios de compulsão alimentar sem métodos compensatórios. A Terapia Cognitivo-Comportamental tem obtido resultados positivos nos tratamentos dos transtornos alimentares, com um aumento de peso em pacientes com Anorexia Nervosa e a redução e/ou eliminação da compulsão alimentar na Bulimia Nervosa e no TCAP. Esta abordagem psicoterápica é bastante diretiva e orientada para metas. A base inicial para o trabalho com Transtornos Alimentares seria: um conhecimento técnico destes transtornos; um trabalho multidisciplinar; o estabelecimento de uma forte aliança terapêutica e uma conceituação do caso. O tratamento envolve um trabalho com o peso, eliminação dos episódios de compulsão alimentar, redução gradual dos métodos compensatórios, abordagem da distorção da imagem corporal, análise e questionamento das distorções cognitivas e das crenças do paciente, aumento da auto-estima, o desenvolvimento de habilidades sociais e um foco na prevenção de recaídas.

Apresentação na mesa científica de 11 de novembro de 2006

“TOC e Transtornos Alimentares: semelhanças e diferenças”

 
 

A ESCOLA E O JOVEM CONTEMPORÂNEO

NADIA FREIRE
Psicóloga; Psicopedagoga e Pedagoga
Orientadora Educacional do Colégio Teresiano

 

Resumo

As transformações ocorridas com as famílias e os jovens na atualidade são um desafio para pedagogos e psicólogos. Pode-se dizer que os adultos que estão em contato com jovens, seja como educadores, como familiares ou profissionais, também encontram diversas dificuldades em realizar suas funções, devido às grandes mudanças decorrentes da modernidade, não tendo muitas vezes instrumentos internos para lidar com elas e, com isso, não encontrando meios para compreendê-los e ajudá-los em seu processo de formação.

Os jovens não aceitam com facilidade as regras propostas pela sociedade, nem a autoridade imposta pelos mais velhos com submissão, sem questionar, criticar e até avaliar a sua validade. A escola tem buscado refletir sobre essas questões, investigando sobre a relação do jovem de hoje com a globalização, a sociedade, a família, a escola, os amigos e consigo mesmo, e como tudo isso interfere e afeta seu desenvolvimento na construção de sua identidade.

A implementação de uma proposta de um currículo integrado e interdisciplinar num novo projeto da escola tem permitido construir novas redes, envolvendo temas de interesse dos alunos que, então, são trabalhados para atender à demanda destes e dos conhecimentos escolares necessários. Um destes temas, a ser discutido neste seminário, é, por exemplo, a questão da sexualidade, que é um tema recorrente na adolescência e vem surgindo cada vez mais cedo em suas vidas.


Palestra ministrada no evento SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA – em 13 de agosto de 2005, no Instituto Philippe Pinel



 

AVALIAÇÃO SENSÓRIA MOTORA DO RECÉM NATO NA VISÃO E ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA

CLÁUDIA MARIA DE LIMA GRAÇA
. FONOAUDIÓLOGA COM MESTRADO EM FONOAUDIOLOGIA – UVA / RJ
. COORDENADORA DA GRADUAÇÃO DE FONOAUDIOLOGIA DA UVA / RJ
. COORDENADORA DO DETOR DE FONOAUDIOLOGIA DO PROGRAMA SOCIAL DA MANGUEIRA

 

Esta apresentação tem como objetivo abordar a importância da atuação fonoaudiológica na avaliação sensório neuropsicomotora do recém nato, priorizando as estruturas orais envolvidas com a saúde da comunicação.

Enfatizaremos os benefícios do aleitamento materno, como também a participação efetiva e eficaz da mãe e do pai para os efeitos positivos na saúde fonoaudiológica, uma vez que durante o aleitamento natural temos a promoção da saúde global do recém nato e da própria estrutura familiar.

A literatura tem apontado a importância da sucção durante o aleitamento natural, para o desenvolvimento adequado dos lábios, língua, mandíbula, maxila, bochechas, palato mole, palato duro, soalho da boca, musculatura oral e arcadas dentárias (órgãos fono – articulatórios (OFAS)) durante a função da sucção.

Desta forma, os OFAS são estimulados e através dos movimentos realizados ocorre à maturidade das estruturas em relação à mobilidade, força, postura favorecendo ao desenvolvimento harmônico das funções estomatognáticas (sucção, deglutição, mastigação, respiração e articulação dos sons da fala) ¹.

ALEITAMENTO: AÇÃO DE AMOR.

A sucção da mama inicia – se com o reflexo de busca. Esse reflexo é o percussor para a pega adequada da aréola e do mamilo, promovendo a ação da face do RN em direção ao estímulo, gerando a movimentação correta das estruturas orais durante a mamada.

Além desses aspectos, ressalta – se que o desenvolvimento neuropsicomotor oral do RN reflete no crescimento craniofacial, no crescimento ósseo, na dentição e na saúde global do bebê.

Para isto, a qualidade da relação mãe – recém nato é de suma importância para a disponibilidade deste ato. Para amamentar, as mães necessitam do apoio da família, da comunidade, dos serviços de saúde e do trabalho. As mães adequadamente assistidas por seus parceiros praticam o aleitamento com bom vínculo, propiciando momentos de prazer entre a mãe e o bebê ².

Durante esta atividade, além de todos os benefícios já citados, devemos ressaltar a importância da comunicação tônica e oral existente para o desenvolvimento lingüístico do bebê. Enfatizamos também a importância da postura corporal da mãe e do bebê durante o momento da amamentação, favorecendo uma pega eficaz, intensificando o prazer da relação, facilitando as experiências afetivas ³.

Conclusão

Como podemos observar, é função dos fonoaudiólogos envolvidos na assistência a mulheres e recém natos à promoção do aleitamento natural na sua forma mais ampla, através da sensibilização e incentivo a esta prática.

É fato também que estes esclarecimentos devem atingir a sociedade, convocando toda a comunidade à reflexão e à implementação deste hábito como um ato ecológico, pois, por tudo o que já expomos, contribui também com a qualidade do meio ambiente de forma a promover, para as gerações atuais e futuras, uma ambiência indispensável à qualidade das estruturas relacionadas à saúde da comunicação e a qualidade de vida.

Referências Bibliográficas:
1.Harfouche, JK. The importance of breast – feeding. J Trop Pediat. 1970; 16:135- 75. (voltar)
2.Nóbrega, F. J.. A importância nutricional do leite materno. In: Rego, J. D.. Aleitamento materno, Atheneu:RJ:RJ. 2001. (voltar)
3.Cordeiro, M.T.. Postura, posição e pega adequadas: um bom início para a amamentação.In: Rego, J. D.. Aleitamento materno, Atheneu:RJ:RJ. 2001. (voltar)


 

Recém-Nascido de Risco e Unidade de Terapia Intensiva Neonatal: sustentação das funções essenciais à vida


Maura Calixto Cecherelli de Rodrigues.

 



O avanço tecnológico progressivo na área da neonatologia tem permitido que bebês com peso cada vez menor ao nascer sobrevivam. Estes bebês prematuros e de peso inferior a 1500g ao nascer respondem por boa parcela das internações em UTIN. O custo da sobrevida de neonatos tão “pequenos” pode ser muito alto para o bebê e sua família, com um elevado percentual de seqüelas chamadas “menores”, que se traduzem em déficits cognitivos, acadêmicos e/ou comportamentais no futuro. Busca-se hoje que as Unidades de Terapia Intensiva Neonatais (UTIN) sejam locais de sustentação da vida, em seu sentido mais integral, e não só de sobrevida; ou seja, que se sustentem as funções vitais, com particular atenção ao cérebro e sistema nervoso central, buscando o saudável desenvolvimento de um indivíduo que se encontra em uma situação de risco. Para tal, é fundamental a inserção real da família do bebê de risco neste contexto.

A equipe de saúde interdisciplinar assume na UTIN o papel de cuidador do bebê, devendo progressivamente dividir este papel e passá-lo à mãe e à sua família. Esta é uma tarefa que requer comunicação adequada e constante entre os membros da equipe e desta com os pais. Os “Cuidados Voltados para o Desenvolvimento do Pré-termo na UTIN”, baseados na Teoria Síncrono-Ativa do Desenvolvimento (Als, 1986) têm procurado, a partir de intervenções no ambiente e no próprio bebê, uma melhor organização e estabilização clínica do neonato. Espera-se, assim, estar contribuindo para um desenlace feliz para o bebê e sua família.


 

Recém-nascido de risco – seguimento

Maura Calixto Cecherelli de Rodrigues


O aumento progressivo de neonatos de peso cada vez menor ao nascer egressos das Unidades Neonatais implica em maior descrição de morbidades clínicas e neurológicas nesta população. Os bebês de muito baixo peso ao nascer estão em maior risco de evoluir com paralisia cerebral, deterioração intelectual e convulsões, cegueira e surdez. À idade escolar, dificuldades de aprendizagem e comportamentais, assim como uma capacidade pobre de funcionamentos social e adaptativo têm sido enfatizados.

O seguimento desses bebês objetiva a detecção precoce de desvios no seu desenvolvimento, a possível intervenção direta e/ou indireta (ambiental) por equipe interdisciplinar, a verificação das necessidades suportivas específicas para a criança e sua família e dos resultados dos cuidados a eles oferecidos na Unidade Neonatal.

Com o advento dos métodos de imagem têm-se estabelecido relações entre injúria cerebral perinatal e desenvolvimento neurológico e cognitivo nessas crianças. Entretanto, é importante que se diga que a existência de injúria não implica necessariamente na existência de seqüela e não é capaz de predizer com precisão um desenlace futuro.

Uma intervenção benéfica nessa população de risco só será possível mediante melhor conhecimento dos mecanismos fisiopatogênicos de lesão cerebral na população de muito baixo peso ao nascer, suas causas e a influência que fatores biológicos, genéticos e ambientais possam ter sobre essas crianças melhorando ou piorando seu desenvolvimento.




 

Instinto Materno x Construção do Materno: notas sobre uma visão antropológica.

Elielma A Machado

 

Introdução

Sobre o tema proposto a Aula Inaugural do 40 Curso de Capacitação em Saúde Mental para Intervenções Precoces, qual seja: Instinto Materno x Construção da Maternidade, cabe refletir, inicialmente, sobre o que é instinto3. Instinto é uma característica invariável presente em todos os membros de uma determinada espécie. A partir de afirmativa feita anteriormente, cabe questionar se há algo que caracteriza a maternidade de forma a sugerir que esta seria uma condição “natural” independente da cultura? Pela dificuldade se responder à questão pode se suspeitar que não haja resposta, com algum grau de confiabilidade, para mesma. Pois ao longo de nossas vidas somos socializados com diferentes características que são adquiridas a partir da interação com os demais indivíduos e grupos sociais. E isso ocorre de tal forma que, no que se refere à maternidade, especificamente, há diferentes formas, na espécie humana, de maternidade. E essas formas variam tempo e no espaço. Ou seja, a noção e exercício de maternidade vão esta condicionada a vários fatores tais como: o tempo histórico, período da vida, classe social, grupo étnico-“racial” e outras características de indivíduos e grupos sociais.
Apenas a título de exemplo, vale mencionar como a diversidade cultural pode ser vista também a partir da experiência da maternidade.

Chamo atenção para como determinadas elaborações construídas em torno da maternidade precoce que reforçam algumas configurações que devem ser confrontadas com outras fontes.

Maternidade e Família: algumas reflexões sobre a sociedade brasileira.

Na sociedade brasileira contemporaneamente, freqüentemente, são formuladas políticas públicas que visam a educação sexual e planejamento familiar nas camadas populares, cujo público alvo continua sendo "mulheres em idade reprodutiva" (com idade entre 10-49 anos) em geral e, a "jovens e/ou adolescentes" (mulheres com idade entre 10-20 anos), em particular. A maioria das medidas formuladas são práticas de intervenção que partem do suposto que estas mulheres, de camadas populares, não teriam acesso a informações sobre planejamento familiar. Diante do exposto anteriormente, se torna ainda mais difícil sustentar que haveria o “instinto materno” ou até mesmo qualquer outro instinto que se impõe à humanidade de forma independente da cultura.

Alguns estudos que tematizam maternidade e família na sociedade brasileira têm procurado identificar importantes mudanças ocorridas contemporaneamente.( Sarti, 1996; Corrêa, 1995; Fonseca,1987 e 1995; Goldani, 1994). Nesse sentido, Cláudia Fonseca (1995) percebeu que entre as famílias pobres, do Rio Grande do Sul, que vivem momentos de rupturas - morte de um dos cônjuges, separação e desemprego - ou famílias com alteração na relação conjugal - os pais dividem a responsabilidade e o cuidado das crianças com uma grande rede de sociabilidade, na qual a família está envolvida. A esta responsabilidade coletiva, Fonseca chamou “circulação de crianças”.

A circulação consiste numa prática, bastante difundida entre as mães pobres, onde as crianças permanecem sobre a guarda de um parente, madrinha ou padrinho, preferencialmente alguém da rede de relações da mãe. A criança não é dada em adoção.

A circulação de crianças ocorre dentro de uma lógica de prescrições morais no interior da rede de parentesco.

Em outros casos, na falta de uma instituição pública adequada, as crianças são colocadas na (FEBEM), instituição responsável por crianças abandonadas. Com o passar do tempo, tendo a família (ou a mãe) se estabilizado, as crianças seriam retiradas da instituição e, alocadas, novamente, no interior da família.

Woortmann (1986) buscou compreender as relações de parentescos entre a população pobre de Salvador. No que se refere, a composição das famílias, Woortmann indica à existência de uma prática social, similar a “circulação” de crianças demonstrada por Fonseca, a circulação de homens.

A “circulação de homens” consiste em:
. . . Os homens podem ser vistos como “parceiros itinerantes”, descolando-se de um grupo doméstico para outro, ao sabor das flutuações de sua vida econômica; as mulheres, ao contrário, são mais “sedentárias”, tendendo a permanecer numa mesma casa com seus filhos, e aí recebendo sucessivos parceiros. Estes últimos, de fato, tendem a ser percebidos como provavelmente temporários. (Op. cit. 86)

Diante do que foi exposto, as mulheres ocupariam, entre a população de baixa renda, lugar avesso a circularidade.

Em outro texto, que também problematiza a organização familiar entre a população de baixa renda, Cláudia Fonseca (1987) se questiona sobre a validade de um modelo explicativo para diferentes famílias. A questão surgiu a partir das diferentes formas de organização familiares de uma vila de Porto Alegre. Onde, Fonseca encontrou uma série de conflitos decorrentes da tensão entre parentes consangüíneos e afins no interior das unidades domesticas. Nesta vila, os possíveis problemas causados pela instabilidade conjugal ou separação do casal, principalmente a saída do convívio da família do pai das crianças / marido, são amenizados com a participação da irmão da mãe.

Os parentes consangüíneos (irmão da mãe) e afins (pai da criança ou marido), frequentemente, não estão presentes na mesma medida; mas o primeiro pode vir a desempenhar tarefas, antes da separação, de responsabilidade do segundo.

Diante de tal especificidade, Fonseca esclareceu que:
A insuficiência das várias teorias sincrônicas nos levou a crer que para aprofundar a análise das práticas de organização familiar em grupo de baixa renda, é essencial ter uma noção de sua evolução no tempo, é necessário situar esses costumes em relação às diversas influências históricas exercidas pela Igreja, pelo Estado e pelas peripécias da economia regional. (Op. cit. 102)


Palavras Finais

Diante da complexidade apresentada anteriormente se deve reconhecer que poucas reflexões são feitas no sentido de compreende as motivações de mães e pais, principalmente de jovens, que se encontram envolvidos no campo da interação pais-bebê. Com reflexões aprofundadas sobre a noção de maternidade como uma construção social, por exemplo, será possível compreender a complexidade relativa à interseção classe, gênero e idade bem como símbolos de demarcação de diferença e hierarquia na sociedade brasileira; e ainda observar, detalhadamente, como a reprodução ainda é um dos principais símbolos da construção de gênero feminino e, a partir da reflexão se pode proceder de forma mais atenta as demandas de prevenção e intervenção precoce, como se propõe o Curso de Capacitação em Saúde Mental para Intervenção Precoces.

Bibliografia

AZERÊDO, Sandra. “Teorizando sobre Gênero e Relações Raciais”. Estudos Feministas (Nº Especial); Rio de Janeiro: CIEC/ECO/UFRJ, 1994 (pp.).

FONSECA, Cláudia. (1989) A História Social no Estudo da Família: uma excursão interdisciplinar. In: Boletim Informativo e Bibliográfico de Ciências Sociais Nº 27, Rio de Janeiro, ANPOCS

GOLDANI, Ana Maria (1994) Retratos de Família em Tempos de Crise; In: Estudos Feministas CIEC / ECO/ UFRJ; ( Número Especial ) 303-335.

LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Zahar, 1989.

LÉVI-STRAUSS, C. (1982) Estruturas Elementares do Parentesco. Petrópolis, Vozes.

MACHADO, Elielma Ayres. Narrativas, Trajetórias e Consideração: Um Estudo Sobre Família E Relações Raciais No Complexo Da Maré-Rio De Janeiro. Dissertação De Mestrado. Campinas: IFCH/UNICAMP, 1998.

PERLMAN, Janice (1977) O Mito da Marginalidade: favelas e política no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Paz e Terra.

SARTI, Cynthia (1996) A Família Como Espelho. Um Estudo Sobre a Moral dos Pobres. Campinas, Autores

WOORTMANN, Klaas (1987) A Família de Mulheres. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro/CNPQ.


 

Sinais de Risco e a Clínica dos Primórdios

Flávia Bessa

 


A proposta da Comissão de Saúde Primária para este curso é dedicar-se ao estudo e à pesquisa dos fundamentos primordiais para a construção do humano. Há que se pensar na clínica dos primórdios como uma clínica de construção do sujeito que privilegia a sua singularidade acima de tudo.

Dentro desta proposta, trago um pequeno fragmento clínico, uma passagem da clínica fonoaudiológica, que nos mostra a presença de sinais de risco psíquico.

R. foi um bebê prematuro ao nascimento e devido aos sinais de risco para o desenvolvimento, iniciou aos 15 dias de vida, um tratamento globalizado com fonoaudiologia, fisioterapia e psicologia.

A mãe e o bebê vinham de Saquarema diariamente, trazidos por um ônibus da Prefeitura que vinha ao Rio de Janeiro trazendo muitos pacientes para diversas unidades de saúde. Segundo o relato da mãe, saiam muito cedo de casa e retornavam quase no fim da tarde.

Durante boa parte da viagem, R. permanecia em supino no carrinho, impossibilitado de vivenciar outras posturas e de interagir com a mãe.

Ao chegar em casa, a mãe conta que precisava cuidar do outro filho de 3 anos, e por causa deste , o pequeno R. ficava deitado no berço quase o dia todo (em supino).

Desde muito cedo a dinâmica familiar foi observada e acompanhada, e a construção do laço-afetivo entre eles, submetida a um criterioso olhar-escuta. O bebê entrava quase sempre chorando, gritando e muito irritado na sala de atendimento. Nos primeiros dias permaneceu assim por um grande período de tempo e nada o consolava.

Observando-se os sinais de risco psíquico, chamo a atenção para a relevância do outro primordial, aquele capaz de apaziguar as necessidades do bebê dando respostas específicas para cada situação (fome, sede, etc.).

Inicialmente R. permaneceu em amamentação exclusiva.

Do ponto de vista técnico, ou seja, a pega, a posição, o padrão de sucção do bebê, tudo transcorria perfeitamente. Mas seria essa troca tônico-postural ? Como se dava a interação entre eles ?

A mãe preocupava-se bastante com o padrão alimentar de R. , que aos 6 meses não conseguia aceitar os alimentos na dieta complementar de transição. Era muito desconfortável ver que seu filho não sabia o que fazer com a comida que lhe era oferecida.

Nesta fase, aos seis meses, o bebê fica então sob meus cuidados, em atendimento, e observo uma importante desorganização global. Ele ainda não permanece sentado e quando colocado em prono, dificilmente saía desta postura. Oscilava comportamentos de agitação e apatia.
O corpo do bebê não é somente puro organismo.

Mais do que alimento, faltavam-lhe palavras alimentadoras; a sonata materna, o manhês, um elemento organizador.

A voz que organiza o bebê, a voz que comanda o olhar, a voz que nem sempre tem som. A voz que gera satisfação e que permite ao bebê reevocar traços de experiências satisfatórias, reencontrando apaziguamento.

A percepção destes sinais e a intervenção precoce, foram fatos relevantes para a boa evolução do caso.

O curso de capacitação em saúde mental para intervenções precoces pretende desconstruir a clínica das especialidades, deslocando os mais diversos profissionais de seus lugares e saberes enraizados. Pretendemos desenvolver um olhar-escuta diferenciado em cada um dos participantes, tornando-os capazes de reconhecerem os sinais de risco psíquico que encontramos com freqüência na clínica de construção do sujeito.


Flávia Bessa
Fonoaudióloga especializada em Fonoaudiologia Hospitalar
Coordenadora do Amamentare Suporte à Amamentação
Membro da Comissão de Saúde Primária da Abenepi
e-mail : flaviabessas@aol.com
tel: 8114-0749




 

Escuta do Pré-Natal; Como se pode intervir?


Sara Asenjo – ginecobstetra
Diretora do HMON

 


A Escuta do pré-natal deve partir através do conhecimento da historia do parto e nascimento dos dados epidemiológicos para se poder por em pratica as políticas publicas e o saber técnico-cientifico a serviço dessa pratica.

Precisamos facilitar o acesso a o pré-natal obtendo captação precoce a essas pacientes oferecendo-lhes acolhimento humanizado e hierarquizado com isso possibilitando intervir na melhora da qualidade doa indicadores de mortalidade materna e neonatal, que como sabemos são 10 vezes pior que nos paises de 1° mundo.

Apontamos como de alta relevância para obtermos esses resultados a formação dos profissionais de saúde com uma orientação fortemente humanística que fortaleça o desenvolvimento de uma equipe sensível com alto nível de conhecimento do processo sobre o ser mulher/mãe/criança.

Precisamos criar alianças entre a sociedade civil para que possamos através desses mecanismos alcançarmos objetivos maiores:
“SIM” A VIDA
“SIM” AO AMOR
“SIM” AO NUCLEO FAMILIAR

 

Aula do 4º Curso de Capacitação – 10 de dezembro de 2005



 

LINGUAGEM E CONSTITUIÇÃO PSÍQUICA

Sonia Pereira Pinto da Motta – psicanalista

 

O humano estará enlaçado
desde sempre nas malhas
da linguagem


O humano não pode engendrar-se a si mesmo. A constituição psíquica de um sujeito só se dá mediante a construção de um laço estruturante, que inclui, necessariamente, três elementos: função paterna, função materna e bebê, postos sob a égide do simbólico – campo eminentemente humano, cuja essência é o significante. Assim, consideramos que o ninho humanizante é o simbólico e que o homem fala porque o simbólico o fez homem. A linguagem está pois profundamente enraizada, como instância de subjetivação, na constituição psíquica.

Chamamos mãe, aquele que exerce a função de integrar o bebê ao simbólico; porta-voz da língua, inocula-a no infans, supondo nele um sujeito falante. A mensagem que faz marca é aquela que transita pela dimensão desejante, afetando toda a sensorialidade do bebê.

Esse acesso ao simbólico, que se dá por via da identificação da criança ao discurso da mãe, passa pelo corpo, onde serão inscritos a fogo do desejo do outro materno, os traços do investimento endereçado ao bebê. Estas serão marcas de prazer e farão parte da montagem psíquica do bebê e de seu corpo tornado erógeno.

É pela alternância presença-ausência da mãe que as operações de alienação e separação, operações fundantes do sujeito no campo do Outro, poderão efetivar as primeiras voltas da estrutura psíquica.

A apropriação do infans pela linguagem vai-se dando desde antes do nascimento, com a escolha de um nome e um projeto de filho. A partir do nascimento, desde sinais mínimos do bebê, a mãe em função antecipa-se e interpreta o organismo real do bebê, atribuindo-lhe demandas e intenções. É deste lugar que o bebê “responderá” e poderá fazer sua assunção à posição de sujeito, portador de uma língua.

A musicalidade e a prosódia da voz materna exercem função subjetivante, pela proximidade que esta tem ao inconsciente. Mas o que é determinante na constituição do sujeito, para além da escuta do som humano (embora este exerça enorme pregnância na estruturação psíquica) é a potencialidade significante da voz materna. Esta caracteriza-se pelo endereçamento, pela direção, pela convocação inequívoca ao bebê, para que venha ocupar seu lugar legítimo de filho da linguagem.

O ser humano “é” na linguagem porque não há outro modo de reconhecer o que deseja e manter-se vivo.





 

Pulsão Oral e Amamentação

Flávia Bessa
Fonoaudióloga
Coordenadora do Amamentare Suporte à Amamentação
Membro da Comissão de Saúde Primária da Abenepi-RJ

 

 

Luiza é mãe de Ana, nascida há vinte dias. Ela sente dificuldades para amamentar e Ana já está recebendo complemento por orientação do pediatra. Ela solicita um atendimento domiciliar para tentar resgatar a amamentação exclusiva.

Ana é um bebê saudável, nasceu com 3210g e, vinte dias depois, está pesando 3290g.
Percebo que Luiza está um pouco ansiosa em relação ao ganho de peso de Ana.

Observando a mamada, verifico que Ana suga com pouca intensidade no início e depois começa a “chupetar” o peito; um bom tempo depois ela adormece ali mesmo e acorda após um intervalo muito curto. Luiza diz que é sempre assim que acontece.

Luiza sente-se cansada, nervosa e chora muito. Culpando-se ela diz: - “Sinto raiva de mim mesma porque não consigo alimentar a minha filha, eu não queria que ela sentisse fome por minha causa...”. A pequena Ana não estava com fome –certamente- porque estava recebendo o complemento, mas Luiza expressava um grande desejo(?!) de amamentá-la.

Colhendo a história familiar da amamentação, Luiza me relata que sua mãe não conseguiu amamentá-la e nem ao seu irmão. Diz que sabe como amamentar é importante e o quanto quer dar o seu leite a Ana. Ela conta que sua mãe a “incentiva” muito, mas que ela se sente cobrada porque diz assim: - “Você tem que conseguir... eu não pude, mas você tem que amamentar a Ana”.

Contou-me que alguém chegou a dizer: - “... ela já engordou, mas você ainda precisa preencher essas pelanquinhas...”.

Luiza está realmente com pouco leite, pois o seu nível de estresse é altíssimo. Mas mesmo assim conseguíamos através da massagem e ordenha, retirar algum volume para oferecer a Ana.
Entretanto ela não conseguia se satisfazer “com tão pouco” – como dizia. Luiza não conseguia enxergar o leite descendo.

Neste fragmento clínico podemos ressaltar a excessiva preocupação com o alimento, com o corpo físico. Luiza tinha sempre quem a ajudasse com Ana, mas nem mesmo na hora do seu banho ela queria deixar a filha aos cuidados de outra pessoa. Banhava-se rapidamente e passava o dia todo com ela, aos prantos, culpando-se por não conseguir amamentar.

Apesar de toda a rede de apoio, Luiza pouco interagia com Ana. Não se observava fala endereçada ao bebê, a prosódia especial do manhês; não se observava Ana fazendo-se objeto da mãe, buscando ser olhada, ser ouvida.

Ela certamente não ficava com fome, pois sua necessidade alimentar era saciada, mas a satisfação da pulsão oral, que poderia estar em outro registro como a voz, esta não se observava.

“Fernald (1982, pp.104-13) se interessou pelo efeito que as características do manhês produziam na apetência do bebê(1 a 3d/v).”

O bebê vai conhecer o mundo inicialmente através da boca, e essas experiências podem ser boas ou não.

A amamentação é construída socialmente e seus benefícios são indiscutíveis em seus vários aspectos. “O seio é marcado por seu valor de objeto da satisfação da necessidade alimentar”, mas há muito mais coisas envolvidas na prática da amamentação do que meramente alimentar e nutrir.

A amamentação transcende questões de ganho de peso, de saciedade e alimentação. Amamentar é uma experiência que pode ser única, de extremo prazer ou não, mas importantíssima na construção do laço entre a mãe e seu bebê.

A assistência domiciliar nos permite perceber um pouco da dinâmica da casa, da família e do envolvimento de cada um no caso em questão. É uma oportunidade muito rica para intervenções precoces porque observamos a situação viva, além dos relatos, com todos os elementos que se mostram no cenário da clínica dos primórdios.

Baseado em caso clínico atendido pela equipe do Amamentare Suporte à Amamentação.
Os nomes apresentados são fictícios, apenas como forma de ilustrar o fragmento clínico.

http://www.abenepirio.com.br/www.amamentare.com.br




 

Pulsão Oral e Amamentação


(Aula: 15 de outubro de 2005)

Eloísa Troian Zen

 

“Eu já sabia também que as palavras possuem no corpo,
muitas oralidades remontadas
e muitas significâncias remontadas.”
(Manoel de Barros in: Memórias Inventadas, 2003)


Em Psicanálise, PULSÃO é a energia fundamental do sujeito, força necessária ao seu funcionamento exercida em sua maior profundidade. Como essa força se apresenta de muitas formas, é conveniente que a denominemos pulsões mesmo que tenhamos que privilegiar, neste momento, a pulsão oral em nossa exposição.

Pulsão oral enuncia, então, a boca como zona erógena recortada pelo desejo e investimento da mãe (ou quem exerce a Função Materna), como região que media a aproximação e a experimentação do bebê em seu contato com o Outro com o entorno; a boca indiscutivelmente media o contato do bebê com o Outro, com os outros e, pode-se afirmar, com o próprio mundo! Essa a que chamamos mãe (quando a função está em funcionamento) é a maior transmissora de informações sobre o mundo para o bebê e, principalmente, sobre ele mesmo. Fase oral é a 1ª fase da evolução libidinal, caracterizada pelo fato do lactente encontrar seu prazer na alimentação, na atividade da boca e dos lábios; o prazer de sugar, inicialmente ligado a uma atividade fisiológica, torna-se lugar de uma atividade auto-erótica específica, que constitui o 1º modo de qualquer satisfação sexual posterior. O sugar com deleite é apresentado como algo próximo do orgasmo na vida adulta e os lábios da criança estariam comportando-se como zona erógena, tendo sua origem nas 1ª sensações prazerosas da amamentação associadas ao alimento, inaugurando, assim, a 1ª das fases da sexualidade infantil: a fase oral. Em 1915, Freud insiste no aspecto canibalístico da fase oral: a relação que se instaura com o objeto de desejo é de “comer - ser comido”, relação também denominada de incorporação. Para M. Klein, a fase oral está ligada à relação entre a criança e o seio materno, constituindo a satisfação e a frustração; a relação da criança com o seio, ao mesmo tempo bom e mau.

O que está em jogo na relação pais-bebê, quando o RN aceita ou recusa o seio? É possível ler essas situações a partir de como se organiza algumas das operações relativas à FM - alternar-se em presença/ausência; doação/recusa; prazer/desprazer. Também é possível inferir como essa Função operou, ou vem operando, a partir de como a criança se comporta frente à amamentação. No senso comum, quando alguém nos fala que nasceu um bebê, o peso é habitualmente uma das 1ª informações solicitadas, fornecidas e comentadas. Aquilo que se constrói em torno do peso do bebê não é sem efeitos para a mãe e interfere no ritmo, curso e sucesso da amamentação. O bebê mama convenientemente? Ganha peso? A mãe tem leite suficiente?

A amamentação traduz-se em uma cena de alimentação na qual o alimento provém da mãe e esta não tem controle sobre a quantidade ingerida; o bebê, por sua vez, estabelece o ritmo – “para o bebê alimentado ao seio, não há outra regra senão seu apetite e seu próprio ritmo” assegura Dolto, 1999. Neste momento, as competências da mãe estão sendo colocadas à prova - deste modo, tal como em outros momentos da maternidade, essa experiência pode ser vivida de forma profundamente ambivalente e contraditória. Sabemos que não é só de leite do que se nutre o RN, mas também de palavras, de olhares, de trocas outras e que esse momento irá marcá-lo para além de suas necessidades alimentares, a partir daquilo que o Outro - como tesouro dos significantes - antecipa e significa para ele. Freud observou a diferença existente entre satisfação da necessidade e a satisfação da pulsão. Segundo Freud, “uma boa experiência” na relação alimentar seria uma condição necessária para que o bebê pudesse alcançar a satisfação da pulsão. Esta é obtida, no caso da relação ao Outro, somente pela experiência de ser o sujeito um objeto satisfatório para o Outro. Quer dizer, só colocando-se no lugar de objeto de pulsão para o Outro, que se mostra, a partir daí, desejante em relação ao bebê. É justamente no entrecruzamento entre necessidade, demanda e desejo - onde se articula a pulsão – que nós interrogamos em que momento está a construção psíquica do bebê em sua ligação ao seu Outro da relação. Assim, não é sem conseqüências para o bebê se a mãe supõe em seu choro sempre a fome e introduz o seio em sua boca ou, na melhor das hipóteses, começa a matizar o choro introduzindo outras possíveis leituras e ações diante dele. Esta situação não é algo corriqueiro em nossa prática clínica. A recomendação de muitos profissionais da Pediatria sobre a “livre demanda” também corrobora para que muitas mães de RN ofereçam-lhe o seio sem cessar, e é algo a ser considerado quando a “livre demanda” é prescrita sem que se procure saber que significado aquela prescrição médica, de fato, tem para a mãe. Ademais, há conseqüências se, diante do choro, a mãe se desespera para atender o bebê imediatamente ou vai construindo junto com ele condutas de espera, de modo a que ele possa aguardar um momento para ser atendido sem desorganizar-se. Desde o nascimento, a partir do laço com o outro (que Freud denominou “próximo assegurador”) vão se estabelecendo, para o bebê, as condições para que possa experimentar. Experimentar remete-o a provar, aceitar algo novo, aplica-se ao contexto alimentar, mas é fundamental que possa transcender esse contexto.

O seio, no caso, é objeto parcial do desejo do RN e, ao mesmo tempo, é um mediador de sua necessidade; este seio, que faz parte da mãe, é apreendido pela criança como pertencente a ela. O prazer vivenciado é, por conseguinte, sentido como uma descoberta, uma invenção, uma criação a dois, para uma conjugação – através do corpo – dos psiquismos da mãe e do proto-psiquismo do seu lactente. O gozo se torna simbolicamente o fruto de um encontro simultaneamente imaginário e real no tempo e no espaço. Freud assinala que, na experiência primordial de satisfação, o bebê sente prazer em se inundar não apenas do leite, mas, principalmente, da presença de seu outro nutridor, através das palavras, do cheiro, da entonação vocal da mãe. Os primórdios da vida psíquica estão situados na capacidade do bebê de evocar o seio quando ele está ausente. Lacan assinala que desta 1ª representação mental resultarão as coordenadas de prazer que, para o bebê, organizarão a sua relação com o Outro. A satisfação da necessidade – encher o estômago de leite para apaziguar a fome – fica em 2º plano, em face de outro apaziguamento específico trazido pela presença do Outro, pela qualidade de seu investimento. A mãe se mira no bebê que suga seu seio e lê sua qualidade de boa mãe, assim como o bebê se mira no olhar de sua mãe e aí lê o gozo que seu prazer provoca nela. O fenômeno da comunicação visual, auditiva, tátil, cenestésica que ocorre durante a amamentação é da maior importância, principalmente para o bebê, porque a mãe é seu 1º objeto de desejo. É do peito materno (e não do peito da mulher) de que se trata, isto é, trata-se de modos de gozo diferentes. O peito da mulher é de um homem, o peito materno é de um filho. Dualidade pulsional com que se encontra o desejo feminino e seu corpo neste momento. Não é possível pensar o reflexo de sucção isolado da demanda do Outro e das reações tônico-motrizes que provocam sua resposta; é o chamado diálogo tônico-libidinal. É justamente aí, onde a mecânica do sugar se perde na cena do mamar, que se monta o cenário da amamentação. A ação de sugar o Outro (materno) se transforma no ato de mamar; a criança se alimenta do seio do desejo (da cena e do cenário) que demanda amor e que o funcionamento materno doa, articulando-se a dialética da demanda e do desejo. Esse peito do desejo para o pequeno infans é causa de seu desejo mais voraz e, para a mãe, é causa de seu desejo mais maternal, onde se afirma sua nova condição de mãe de um filho que, por sua vez, a recoloca como filha, como mãe e como mulher.

O ato de amamentar adquire toda sua consistência e implica irremediavelmente a queda da ação mecânica do sugar para advir no ato significante de mamar. Na mesma perspectiva que a cena de ver transforma-se em olhar, o ouvir em escutar, o movimento em gesto e o tato em toque, poderíamos arriscar supor uma série de co-pertinências e sustentações significantes guiadas pelo funcionamento do Outro, que começam a acontecer no ato de amamentar. O cenário simbólico constitui a cena do amamentar, onde o mamar é, para a sucção, o que o olhar é para o ver, o escutar é para o ouvir, o gesto é para o movimento, o toque é para o tato e a estrutura é para o desenvolvimento. Ao nascer, a criança incorpora gestos, palavras, sons, olhares, toques que o Outro significa e outorga. Dos lábios de sua mãe incorpora a sua voz como objeto que ecoa em seus ouvidos e pode escutar. O olhar começa a antecipar o som que se desprende da boca materna e assim, desde a origem, começa a cumprir a função antecipatória e reguladora. Cabe lembrar o conceito de Antecipação quando indica que antecipamos um sujeito quando confirmamos o desejo de ter um filho, menino ou menina, louro ou moreno, que se chamará João ou Maria. Quando reconhecemos nele uma unidade corporal e quando nos dirigimos a ele supondo-o inserido no mundo da linguagem e comunicante de seu desejo que ainda não está lá; nós antecipamos um sujeito quando temos dele uma pré-visão para além da realidade concreta. Não podemos esquecer que a boca não é só erógena no que diz respeito ao seio, mas também à voz, pois o aparelho bucal opera como caixa de ressonância e respiração de onde ecoa, se modula e se desprende a voz. A mãe fala e toca o bebê, e é na palavra que esse corpo é nomeado como sujeito. É nesse acariciar originário, no intocável do toque que o corpo enoda ao real, o imaginário e o simbólico como dimensões constituintes e instituintes da subjetividade. O pequetito terá que percorrer um sinuoso caminho para apreender essa verdadeira consistência que está encarnada (nesse 1º tempo) no corpo e na palavra materna. O corpo da mãe adquire um valor fundante para o bebê, pois se transforma numa fonte libidinal permanente, ao higienizá-lo, movê-lo, niná-lo tocá-lo, ou seja, unificar-lhe as diferentes funções corporais e motrizes que, de outra forma, perderiam sua consistência libidinal e até mesmo funcional. As seqüências de presenças/ausências maternas vão delimitando um ritmo que o bebê começa a poder antecipar em cada reencontro com o dizer corporal materno. O que preanuncia a antecipação simbólica do corpo materno (tanto alucinação quanto o objeto transicional entram neste caminho simbólico que permite a separação entre ele e sua mãe). A mãe é espelho de seu filho, já que, antecipadamente, a criança lhe possibilitou reconhecer-se em outra posição como mãe, e para isso foi necessária a Função Paterna (FP), que operou como ordenador e vetor da legalidade do desejo. A cena do amamentar se constitui como um ponto de encontro entre a sucção e o mamar. A mãe, ao amar o filho, renuncia a ele, e a criança, ao amar sua mãe, renuncia a ela pela interdição e o funcionamento paterno. Se na cena da amamentação, por diferentes razões, a língua materna não está interditada por um terceiro (FP), ou seja, a mãe toma seu filho como objeto do qual se apropria (como objeto de seu domínio e pulsão), ela realiza seu desejo incestuoso estabelecendo uma relação de gozo para a criança e aí entramos no campo da psicose. Se quem deve cumprir a função e o funcionamento materno toma o infans como uma coisa, como um obstáculo com o qual não deseja relacionar-se, a criança ficaria separada de sua mãe e do peito, dramatizando o campo irredutível do gozo autista. Sem o laço com o Outro, a criança estaria posta no real mesmo, sugando mecanicamente até que se perderia no puro vazio do reflexo anônimo, ou sua boca e seu desenvolvimento continuariam indefinidamente a serviço do gozo do corpo real, sem mediação com o campo do Outro. A pulsão e a impossibilidade de satisfação: “a doutrina das pulsões é, por assim dizer, nossa mitologia” (Freud: Novas Conferências Introdutórias). “As pulsões são seres míticos, grandiosos em sua indeterminação. Ao longo de nosso trabalho, não podemos desviar dela nosso olhar por um só instante, mas jamais estamos seguros de vê-la nitidamente!” .


Eloísa Troian Zen: (21)22676401 ou 99875821(cel) - zen@infolink.com.br
Este texto foi elaborado a partir de minha prática clínica na assistência à mulher/mãe e à família no ciclo gravídico-puerperal, bem como da leitura, compilação e recorte da Bibliografia abaixo citada.

BARROS, M de. 2003 Memórias Inventadas: a infância .Editora Planeta, São Paulo.

CRESPIN, C. A. 2004 Clínica Precoce: O Nascimento do Humano. Editora Casa do Psicólogo, São Paulo.

FREUD, S. 1972. Três Ensaios Sobre As Teorias Sexuais. Volume VIII. Imago Editora, Rio de Janeiro.

LEVIN, E.2001. A Função do Filho - Espelhos e Labirintos da Infância.
Editora Vozes, Petrópolis.

SALES, L.2005 Por Que Essa Boca Tão Grande? Editora Ágalma, Salvador.

WINNICOTT, D W. 1988. Textos Selecionados: Da Pediatria à Psicanálise. Francisco Alves Editora, Rio de Janeiro.


 

SINAIS DE RISCO E A CLÍNICA DOS PRIMÓRDIOS

Maria Prisce Cleto Teles Chaves


Quando pensamos em clínica dos primórdios, pensamos em um tempo onde precisamos estar atentos e trabalhar para que a condição humana se estabeleça; o cidadão venha a comparecer e o sujeito possa advir. Um tempo onde “tudo deve acontecer” de zero a três anos.
A clínica dos primórdios compreende tempos de construção em que a constituição psíquica, encontra seus alicerces, suas bases, na ligação afetiva estabelecida entre o bebê e seus outros parentais.

Não é mais possível falarmos de humano de forma cartesiana, separando orgânico de psíquico. Com as descobertas da neurociência ficou mais notória a afirmação de Freud, há mais de um século, quando dizia que o aparelho psíquico é construído num entrelaçamento com o orgânico e sob a presença de um “Próximo Assegurador”, ou seja, dos outros parentais, ou melhor dizendo, com Lacan, do Outro Primordial.

Sabemos, hoje, que são os pais os mestres do cérebro. Que ao nascer tanto o bebê como a mãe encontra-se no desamparo, na prematuridade psíquica. Winnicott dizia: “O bebê cria a mãe ao mesmo tempo em que a encontra”.

Para a psicanálise o tempo do nascimento real não garante, em absoluto, o nascimento do sujeito, assim como o fato de haver uma gravidez em curso não garante a efetividade da presença materna, ou seja, que vai haver uma mãe e um filho.

Para que um sujeito possa advir é preciso que ao Real do corpo, haja uma interligação com o campo Simbólico. Campo que, quando apropriado, irá servir de instrumental relacional humano. Esta interligação só é possível pela vertente Imaginária antecipada pelo outro assegurador. O Outro Primordial emprestara seu arcabouço psíquico para o pequenino, antecipando para ele o futuro, dando lhe uma Ur Bild, ou seja, uma imagem antecipada de si. Isto só acontece sob o comando do significante Nome do Pai que, pondo em operação a função paterna irá possibilitar o funcionamento da função materna. Este processo tem um tempo! Sempre a cada vez e sempre de forma singular.

Em psicanálise falar de prevenção é falar de aposta. Aposta que deve estar presente primordialmente nos pais. São eles, pais, os mestres do cérebro. Logo, com toda sua mestria precisam fazer as ligações fundamentais do pequenino ser ao mundo. Nascemos sob a condição pulsional e precisamos que um outro venha nos capacitar a por essa pulsão a serviço da vida. Quando a pulsão não é ligada, dizemos que ela se encontra livre e pulsão livre, sem direção, é mortífera. Pensamos que se encontra aí o caso de morte súbita do berço. A angústia quando avassaladora pode ser um impeditivo para a vida. Há uma impossibilidade de suportar a existência. Costumamos presenciar este fenômeno nos casos de suicídio.

O bebê tem inúmeras competências, porém, elas não se estabelecem por si só. O bebê tem poder evocante que se não há a quem evocar, inibe-se.

Sabemos que tanto a estrutura orgânica como a psíquica já vem ocorrendo muito antes do nascimento real. É um tempo de construção!Tanto uma mãe, como um pai, e um filho, são construídos sob o viés da transgeracionalidade; da conjugalidade e das perdas.

É preciso que, uma mulher, tenha podido ocupar um dia o lugar de filha e ter recebido de sua mãe marcas significativas da maternidade, material que inconscientemente será matriz para seu futuro lugar de mãe. É preciso que o homem seja capaz de abrir mão do seu lugar de filho para poder, reconhecidamente, pela mulher, mãe de seu filho, vir a ocupar lugar de pai. É pela palavra da mãe que um pai passa a fazer parte da estrutura psíquica de um filho.

O tempo do pré-natal é um tempo muito rico e propício à escuta e às intervenções precoces, pois é um tempo em que estes lugares estão sofrendo desarticulações e as fantasias e as emoções encontram-se em pleno vigor. Como orgânico e psíquico não são indissociáveis, muitas notícias dessas desarticulações, principalmente quando as vivências infantis desta mulher não foram de amparo, se evidenciará, neste momento, via corpo. Como dizia Freud: “O Eu é corporal”. Logo, devemos estar atentos e permitir que as gestantes possam falar de suas relações primárias com seus outros parentais e de suas relações atuais com seu entorno.
Consideramos toda gestação como gestação de risco.

Para o lado do bebê, este tempo de pré-natal também vai dando seus sinais para a montagem da vinculação, através da aposta antecipada; da nomeação; da vestimenta imaginária; em fim, do como está se dando a falicização do bebê. Chamamos de falicização ao processo de imantação, de adornação pelo qual deve passar o bebê ao nascer sob o olhar de uma mãe em função materna.

Bebês privados do lugar de “Sua Majestade o Bebê” estão em situação de risco.
Com o nascimento real, outro tempo se apresenta e urge o engendramento necessário da pulsão, ou seja, o bebê precisa vir a ocupar o lugar de filho sob o olhar-voz-toque narcísico de seu Outro Primordial. Sob a regência do prazer. Precisa ser fisgado por sua mãe e fisgá-la.
Consideramos risco para este tempo, os bebês privados do contato com sua mãe ao nascer; bebês mal formados; bebês prematuros; bebês sem nome; bebês que não olham para o rosto humano; bebês que não choram, não clamam, não se acomodam ao colo; que não reconhecem a voz materna; que recusam a amamentação; que não sorriem, não balbuciam; crianças que não falam; entre outros sinais. São bebês e crianças de risco psíquico. Por não possuírem arcabouço psíquico suficiente precisam do outro para nomear suas vivências, para codificar suas experiências. Quando em situação de sofrimento, utilizam a única condição de que dispõem para manifestar seus sinais, o corpo. Neste tempo, a maior parte das manifestações corporais aponta para a necessidade de se observar e muitas vezes intervir, na qualidade da relação que está se estabelecendo entre mãe-bebê. O sono, o tônus, a alimentação, o temperamento, os distúrbios funcionais do bebê, dão noticias da qualidade deste laço, desde a gestação. Quanto menor a criança, mais submetia aos efeitos do outro ela se encontra e mais psicossomática ela é.

É, também, sinal de risco para o estabelecimento da função materna, gestantes e puérperas privadas de seus bebês; em depressão; que sofreram perdas de entes queridos significativos; gestantes e puérperas com comprometimento psíquico sério; em condição de miserabilidade; adolescentes; as que se encontram submetidas aos maus tratos; que não falam com seus bebês, que não utilizam o manhês; que não os tocam afetivamente; que não os olham invocativamente; que não imaginam seus bebês, quando estes ainda se encontram na vida intra-uterina; que não reconhecem neles nenhuma familiaridade (são estranhos). Mães que não foram capazes de criar um entorno, um ninho, um nome, um lugar simbólico para seu futuro filho; que não conseguiram perder seu lugar de filha; que não fizeram o luto do bebê imaginário; mulheres que não conseguem amamentar com prazer; entre outros. São mulheres cuja função materna encontra-se em situação de risco e o bebê também. Não é incomum que as mulheres, durante a gravidez e o puerpério sofram uma regressão, se identificando ao bebê e, como ele, usando o corpo para dar seus sinais de sofrimento. Assim, precisamos estar atentos às doenças que se estabelecem ou que se exacerbam neste período, tão propicio ao psicossomático. É indicado que ofertemos a estas mulheres a condição de falar de suas “dores”, de seu “mal estar”; para que elas possam simbolizar o mal que as acometem.

Precisamos estar atentos! Nossa escuta deve principalmente passar pelo reconhecimento do enlaçamento prazeroso entre mãe-bebê desde o pré-natal. O diagnóstico precoce e a facilitação da veiculação simbólica dão, muitas vezes, condição de elaboração e reestruturação do laço afetivo.

A clínica dos primórdios compreende, para nós, a clínica da urgência. A clinica dos tempos de constituição do sujeito. Acreditamos que, quanto mais a tempo pudermos intervir para que o processo da construção humana possa ocorrer sem grandes danos, melhor estaremos operando do lugar de agenciador da saúde.

O não estabelecimento destas vinculações, destas ligações, pode não só gerar atrofias neuronais, inibições funcionais, lesões corticais, morte física como também, morte psíquica ou graves adoecimentos, muitas vezes irreversíveis. Pela influência do desejo do Outro, a função materna desenha o cérebro, viabiliza as ligações neuronais e insere o ínfans na série humana singular, imprimindo suas marcas significantes, acolhendo-o e retirando-o da condição insignificante do ser.

O diagnóstico precoce e as intervenções precoces podem minimizar ou evitar em 70 a 80% as seqüelas destes agravos. Com recursos simples como, por exemplo, colocar dentro da incubadora uma gaze embebida em um pouco de leite da mãe do bebê, pode-se dar a este um pouco da presença materna da qual está sendo, muitas vezes, privado na UTI.

O nosso curso tem o objetivo de capacitar, ou seja, poder dar subsídios fundamentais de conhecimento destes tempos de constituição ao profissional que pretenda se ocupar destes primórdios da construção humana. É nosso desejo que o profissional possa não mais pensar a humanidade, a maternidade, a paternidade e a filiação como estabelecidas desde que haja uma gravidez em curso. Que o profissional possa se implicar e se comprometer como facilitador para esta construção singular.

Rio, 2 de julho de 2005.




 

SAÚDE MENTAL E PEDIATRIA
PEDIATRIA É SAÚDE MENTAL

Sonia Motta – psicanalista

 

De sua formosura
Já venho dizer;
É um menino magro
De muito peso não é.
Mas tem o peso de homem
De obra de ventre de mulher.
(...) “A criança recém-nascida” – João Cabral de Melo Neto


Bem-vinda criança!
Sejam vocês bem-vindos à ABENEPI!

Os avanços dos últimos tempos sobre o conhecimento da 1ª infância (zero a três anos) têm possibilitado novas luzes sobre a sensível estruturação do humano. Esse enfoque vem propiciando maior aproximação entre a Pediatria e outras práxis que também debruçam-se sobre esta etapa fundamental, porque fundante de todo processo de hominização.

No entanto, o vínculo estreito entre Saúde Mental e saúde ainda não tem sido inteiramente reconhecido, apesar de estar amplamente comprovado.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, deve-se considerar a saúde mental, a saúde física e a saúde social como “fios de vida estreitamente entrelaçados e profundamente interdependentes.”

Quantas mãos são necessárias à promoção de Saúde Mental?


Não há mais como negar e/ou negligenciar o período inicial da vida humana como sobredeterminante da condição de haver saúde.

É também reconhecido pela OMS que não basta agenciar a saúde na infância, desconhecendo-se que também ali está em construção o psiquismo singular daquela criança.

Os profissionais que integram as Práticas de Criação têm enorme responsabilidade sobre si, já que participam da estruturação psíquica desses novos humanos, ao deixarem aí suas marcas. Relações calorosas e responsivas são a chave para o desenvolvimento. Crianças que não recebem criação suficientemente boa correm risco maior de sofrerem atrasos ou prejuízos. Também é comprovado o impacto das ligações iniciais no desenvolvimento cerebral.

Pesquisas comprovam que os pequeninos têm maiores chances de serem amparados como convém, se os cuidadores competentes souberem ler os sinais da criança, dos pais e do vínculo cuidadores/criança. Sabe-se também que os cuidadores que recebem capacitação efetiva sobre a constituição do humano aproveitam melhor as enormes oportunidades, a abertura de inúmeras possibilidades de promoção de saúde que esta fase inicial propicia, fase esta de maior riqueza na plasticidade neuronal.

Assim, nós da ABENEPI dizemos Não! à negligência e ao descaso à 1ª infância!

De cada 30 crianças que nascem no Brasil hoje, uma morre antes do 1º ano de vida. Vinte e nove sobrevivem. Nosso compromisso não pode ser só com a sobrevivência, mas sim, principalmente, com a qualidade de vida dessas crianças. A quem cabe esta responsabilidade?

Rio de Janeiro, março de 2005



 

Detecção precoce dos sinais de risco para o
desenvolvimento neuropsicomotor

Flávia Bessa
 


Em primeiro lugar, pensemos no bebê : quem é o sujeito que vamos avaliar ?

Todo sujeito traz em sí uma pré-história, uma trama, uma teia de vida. Observar o sujeito e o seu entorno é o nosso primeiro grande desafio. Tarefa cheia de nuances e filigranas que nos faz mais do que profissionais. Somos por fim cuidadores.

A complexidade do sujeito convoca um olhar diferenciado por parte de cada um de nós. Faz dele alguém que de fato interage com o meio social e o meio ambiente.

A busca pelos sinais de risco para o desenvolvimento, e a detecção precoce dos mesmos, nos possibilita traçar um caminho inicial de assistência , que muitas vezes pode primar pelo não agir.

A Fonoaudiologia insere-se nas equipes de avaliação e atendimento globalizado, a fim de detectar importantes sinais de risco para o desenvolvimento da comunicação humana, bem como para o estabelecimento de uma alimentação segura por via oral.

É inegável dizer que “tudo que é humano é ao mesmo tempo psíquico, sociológico, econômico, histórico, demográfico. É importante que estes aspectos não sejam separados, mas sim que concorram para uma visão policocular” (Morin – 1989) .l


Flávia Bessa – Fonoaudióloga CRFa 8872-RJ
Coordenadora do Amamentare Suporte à Amamentação
Fonoaudióloga e Membro da Coordenação do Setor de Estimulação Precoce do Instituto Brasileiro de Reeducação Motora - IBRM





   
 

Desafios da Adolescência

Rosângela Magalhães
 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define como adolescência o período dos 10 aos 19 anos de idade. Essa fase é caracterizada por mudanças biológicas e psicossociais, que encaminham a criança em direção ao amadurecimento de suas funções reprodutivas, intelectuais e sociais, compatíveis com fase adulta do desenvolvimento humano.

Algumas teorias são consideradas quando buscamos compreender esse período de vida, cuja palavra–chave seria mudança. Vários fenômenos ocorrem concomitantemente e, muitas vezes, de forma inconsciente. Seu corpo passa por transformações intensas; por vezes, ele mesmo não se reconhece. Esse corpo é também invadido por impulsos sexuais, que buscam se realizar. O adolescente se vê, dessa forma, muitas vezes, à mercê de seus impulsos, inseguro quanto às figuras de proteção e desafiado a enfrentar as dificuldades do mundo em que vive. Ainda mais se o meio lhe oferece o desrespeito humano, a falta de oportunidades e o bloqueio da criatividade.

Segundo Ariès (1981), o século XX é o século da adolescência, uma construção histórica e social, como já ocorrera com a juventude, idade privilegiada no século XVII. Naquela época o desenvolvimento da escolarização afetou a educação, anteriormente transmitida pela iniciação e participação da criança na vida familiar, que passa a ser assegurada, então, pela aprendizagem e disciplina nas escolas, além da incorporação dos jovens pelo serviço militar. A infância também teve sua importância cultivada no século XIX, com a valorização da higiene e saúde física, buscando reduzir as altas taxas de mortalidade infantil. Como se vê, a cada época corresponderia uma idade privilegiada, uma periodização particular da vida humana.

Esse período também é definido por Erickson (1950) como uma moratória psicossocial, um tempo de experimentação e busca, na tentativa de responder às questões: “de onde eu venho?”, “quem sou eu?” e “quem desejo me tornar?”, caracterizando o desenvolvimento de uma consciência histórica e individual. A conquista da identidade proporcionaria o equilíbrio entre a conformidade e a rebeldia, crise e compromisso.

A capacidade de escolha se desenvolve, concomitantemente, na adolescência, e em seu estágio final espera-se a conquista da maturidade psicossocial, quando se realizam escolhas voluntárias e livres.

A adolescência se caracterizaria também, dessa forma, por um período em que aflorariam o idealismo, o compromisso com um objetivo (projeto), uma revolução contra o antigo, além de uma vida emocional contraditória.

No entanto, o prazer e a dor se misturam e, dependendo de características pessoais e fatores externos, podem predominar aspectos negativos ou positivos. E isso varia momento a momento, fazendo com que o jovem oscile entre sentimentos opostos com grande facilidade (Aberastury & Knobel, 1981).

Dependendo da sociedade e da época em que se investiga esse fenômeno, poderemos encontrar diferenças significativas quanto ao valor social atribuído a esse período da vida do indivíduo. No contexto das sociedades capitalistas contemporâneas, que enfatizam o sucesso, o progresso e a produção, simbolizados por boas notas, títulos e medalhas, vêm se tornando cada vez mais difícil para os adolescentes terem oportunidades de experimentação, sem pressões de desempenho.

Na sociedade contemporânea ocidental, escolhas constantes e demandas de sucesso vão se apresentando precocemente na vida dos indivíduos, daí os valores e atitudes esperados para seus adolescentes são diferentes, por exemplo, daqueles observados em tribos africanas ou na cultura hindu. Portanto é fundamental e, ao mesmo tempo, complexo, definirmos a adolescência dentro de um contexto sócio-cultural e econômico, pois o que realmente é partilhado nesse período da vida por diferentes indivíduos, em diferentes épocas e lugares, de forma indiscutível, é o desenvolvimento biológico desencadeado na puberdade.

Zagury (1996) coloca a sexualidade como a mais importante descoberta, a mais emocionante aquisição dessa fase. Sendo que ter vida sexual ativa implica em responsabilidade.
Do ponto de vista teórico-conceitual o que resta claro é a dificuldade de abarcar em um conceito toda a riqueza da experiência humana da adolescência. Afinal, que adulto não recorda com certa melancolia dessa fase de sua vida, desejando por vezes retroceder no tempo e resgatá-la? Por outro lado, também seria impossível do ponto de vista humano e prático efetuar a separação entre adolescência e a descoberta da sexualidade, aqui concretizada apenas à guisa de exercício teórico-reflexivo. Na realidade, o que se vê é a intrincada relação entre essas duas experiências, chegando a própria adolescência a ser identificada com a sexualidade, tão forte é a relação entre ambas.

Em suma, durante a adolescência começamos a nos deparar com seres humanos pensantes, aptos a se reproduzirem e ávidos por mudanças.



BIBLIOGRAFIA
ABERASTURY, A., KNOBEL, M. 1981. A Adolescência Normal. Porto Alegre: Artes Médicas.
ARIÈS, P. 1962. Centuries of childhood: A social history of family life. New York: Vintage.
_______________, 1981. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
ERIKSON, E., 1976. Identidade, juventude e crise. Zahar Editores: Rio de Janeiro.
FREUD, S., 1989. As transformações da puberdade. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Volume VII, pp.195-216. Rio de Janeiro: Imago.
MUUSS, R., 1988. Theories of Adolescence. 5a ed. Nova Iorque. McGraw-Hill, Inc
ZAGURY, T., 1996. O Adolescente por Ele Mesmo. São Paulo/Rio de Janeiro: Record.




   
 
Sumários de apresentações realizadas na Mesa Redonda do Pinel
no dia 20 de março de 2004

TEMA:
TRANSTORNOS DO RELACIONAMENTO E COMUNICAÇÃO E T.I.D.
 
 

 

Transtornos do Relacionamento e Comunicação e T.I.D.

Fátima Gonçalves Cavalcante

 

Tomando como base um estudo que desenvolvi no livro Pessoas Muito Especiais: a construção social do portador de deficiência e a reinvenção da família (Cavalcante, F.G., ed.Fiocruz, 2003), apresentei um estudo de caso que contextualiza a eclosão de uma psicose infantil, o tratamento, os apoios institucionais e as razões psico-sócio-culturais para a supreendente recuperação e cura de um caso tão grave. Este estudo analisa a história familiar, situa o efeito nocivo da violência em duas gerações e esclarece as razões do aparecimento de uma psicose na terceira geração. Ao reunir reflexões da área Psi, Antropologia e Saúde Pública, demonstrei a complexidade de ações envolvidas no resgate da saúde mental de uma criança e a importância da integração entre família, práticas em saúde, escola e apoio social. A recuperação da saúde no contexto em que a ‘clínica se amplia nas práticas sociais’, revela a necessidade de “reinvenções” que envolvem famílias, profissionais, professores e leigos.
Palavras-chave: psicose infantil, família e doença mental, educação inclusiva.

Fátima Gonçalves Cavalcante
fatimagold7x7@yahoo.com.br




 

Transtornos do Relacionamento e Comunicação e T.I.D. 

Claudia Maria de Lima Graça

 

O objetivo do meu trabalho na mesa redonda de T.I.D. realizado em março, foi de situar a atuação profissional do fonoaudiólogo nessa população.
O trabalho apresentado priorizou a avaliação dos meios comunicativos utilizados pelo cliente, das funções comunicativas e do relacionamento e uso com objetos, com os outros e com meios não verbais.
Esse olhar terapêutico, busca dados qualitativos em relação a linguagem verbal e não verbal que possam fundamentar a ação terapêutica com o cliente, com a família e com os outros profissionais .


Claudia Maria de Lima Graça
Fonoaudióloga

   


 
 

   

ABENEPI Capítulo Rio de Janeiro

Telefax: (21) 2537-0264
abenepirio@abenepirio.com.br
Diretoria
Comissão de Saúde Primária
Associe-se
Sumários
Contato
Links